A transformação digital no setor financeiro vem acelerando a oferta de serviços como PIX e Open Banking, ao mesmo tempo em que amplia os riscos de ataques cibernéticos. No Brasil, a inovação convive com um cenário de ameaças intensas, tornando essencial adotar práticas robustas para proteger dinheiro, dados pessoais e infraestrutura crítica.
Este guia apresenta uma visão completa do panorama nacional e global, mostra as novas regras do Banco Central e oferece dicas práticas para fortalecer suas defesas.
Avanços e Investimentos em Cibersegurança
Em 2023, o Brasil liderou a América do Sul no Global Cyber Security Index, atingindo o tier 1 da União Internacional de Telecomunicações. Apesar desse reconhecimento, nosso país enfrentou mais de 60 bilhões de tentativas de invasão — um número ainda elevado, embora represente uma redução em relação a 2022.
Para enfrentar esses desafios, o mercado de cibersegurança nacional projeta investimentos de R$ 104,6 bilhões entre 2025 e 2028, o que corresponde a um crescimento acumulado de 43,8%. Esses recursos serão direcionados a tecnologia, capacitação de equipes e melhoria contínua de processos.
Além disso, estima-se que sejam necessários cerca de 30 mil profissionais para atuar como gerentes e administradores de segurança até o final de 2025, evidenciando a importância do desenvolvimento de competências técnicas para sustentar esse avanço.
Riscos, Ataques e Impactos Financeiros
O setor financeiro brasileiro é alvo constante de cibercriminosos. Em março de 2025, 38% da população relatou ter sofrido golpes bancários, especialmente via PIX e engenharia social, resultando em prejuízos significativos.
O custo médio de uma violação de dados em instituições nacionais alcançou US$ 1,36 milhão em 2024, um aumento de 11,5% em relação ao ano anterior. Ainda que esse valor seja inferior à média global de US$ 4,88 milhões, ele representa um impacto considerável para empresas de todos os portes.
Casos de vazamento de informações pessoais afetam milhões de clientes e abalam a confiança nos serviços digitais. Por isso, compreender os tipos de ameaça — ransomware, extorsão de dados, vishing e ataques direcionados — é o primeiro passo para se proteger.
Novas Regras e Exigências do Banco Central
Em dezembro de 2025, o Banco Central do Brasil e o Conselho Monetário Nacional publicaram resoluções que atualizam as diretrizes de segurança para instituições financeiras e prestadores de serviços de tecnologia (PSTI). O prazo para adequação se encerra em 1º de março de 2026.
- Governança e relatórios periódicos à alta administração, com monitoramento contínuo e segregação de ambientes críticos;
- Serviços em nuvem devem incluir autenticação robusta, criptografia de ponta a ponta e testes de intrusão independentes anuais;
- Responsabilidade de fornecedores envolve SLAs claros, trilhas de auditoria e segregação de funções em acessos privilegiados;
- Credenciamento mais rigoroso de PSTIs, exigindo comprovação de capital, reputação técnica e governança contínua;
- Limite de R$ 15 mil por transação PIX/TED durante o período de transição e relatórios de incidentes e continuidade de negócios.
Essas diretrizes buscam não apenas definir políticas, mas exigir comprovação operacional, elevando o nível de maturidade das instituições.
Dados Comparativos de Investimentos e Impactos
Medidas Práticas para Proteger Dados e Patrimônio
Para empresas e profissionais, algumas ações são fundamentais:
- Realizar pentest anual independente para detectar vulnerabilidades antes que invasores o façam;
- Implementar gestão de vulnerabilidades com SLA definidos e priorização de correções;
- Adotar criptografia em todas as camadas de armazenamento e transmissão de dados;
- Investir em inteligência de ameaças, com CTI como núcleo estratégico para antecipar movimentos de atacantes;
- Capacitar equipes e recrutar profissionais qualificados em segurança digital, suprindo a demanda de mercado.
Indivíduos também podem fortalecer suas defesas ao manter senhas únicas, habilitar autenticação de múltiplos fatores e desconfiar de comunicações suspeitas antes de confirmar qualquer transferência via PIX ou TED.
O Futuro da Cibersegurança e Finanças em 2026
No cenário global, os gastos com cibersegurança projetados para 2026 chegam a US$ 240 bilhões, um crescimento de 12,5% em relação a 2025. Segundo a Gartner, 40% desses recursos estarão destinados a software, enquanto a inteligência artificial deve alcançar US$ 51,3 bilhões, dobrando o valor de 2025.
Pesquisa recente aponta que 91% das organizações planejam aumentar seus investimentos em CTI, e 81% buscam consolidar fornecedores para simplificar a gestão de segurança. No Brasil, CEOs de grandes instituições financeiras esperam um aumento de receita de até 48% ao adotar soluções de IA.
Para acompanhar esse ritmo, as empresas nacionais precisam evoluir continuamente seus processos, consolidar parcerias estratégicas e alinhar tecnologia, pessoas e governança.
Conclusão: Construindo Resiliência
O equilíbrio entre inovação financeira e proteção digital requer comprometimento e recursos. Com as novas regras do Banco Central, o momento é agora: é preciso transformar políticas em ações concretas e mensuráveis.
Ao adotar práticas recomendadas — desde pentests e criptografia até CTI estratégico —, organizações e indivíduos podem reduzir significativamente seus riscos e garantir a confiança dos clientes. Invista em capacitação, fortaleça processos e acompanhe as tendências globais para proteger seus dados e patrimônio de forma proativa e sustentável.
Referências
- https://fenati.org.br/brasil-investira-bilhoes-em-ciberseguranca-ate-2028/
- https://3structure.com.br/nova-politica-de-seguranca-cibernetica-para-instituicoes-financeiras/
- https://www.welivesecurity.com/pt/seguranca-digital/brasil-deve-aumentar-em-43-os-investimentos-em-ciberseguranca-ate-2028-aponta-relatorio/
- https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-01/bc-aperta-regras-de-provedores-de-ti-para-instituicoes-financeiras
- https://www.computerweekly.com/br/reportagen/Orcamentos-de-ciberseguranca-em-2026-perspectivas-para-o-Brasil
- https://tisafe.com/ciberseguranca-em-alta-entenda-por-que-2026-promete-ser-decisivo/
- https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/20979/nota
- https://www.hlb.com.br/ciberseguranca-lidera-preocupacoes-globais-em-2026-e-reforca-urgencia-de-governanca-no-brasil-em-ano-de-transicao-tributaria/
- https://brazileconomy.com.br/economia/2026/02/instituicoes-financeiras-correm-para-cumprir-novas-exigencias-de-ciberseguranca-do-bc/
- https://www.pwc.com.br/pt/sala-de-imprensa/release/inovacao-e-ciberseguranca-estao-mais-presentes-na-agenda-de-ceos-de-servicos-financeiros-que-em-outros-setores.html
- https://febrabantech.febraban.org.br/especialista/patricia-peck-pinheiro/novas-regras-para-a-seguranca-digital-em-2026
- https://www.cybersecbrazil.com.br/post/cyber-security-brazil-relat%C3%B3rio-de-seguran%C3%A7a-e-previs%C3%B5es-para-2026
- https://www.bcb.gov.br/estabilidadefinanceira/exibenormativo?tipo=Resolu%C3%A7%C3%A3o+CMN&numero=4893
- https://shieldsec.com.br/investimentos-em-ia-para-ciberseguranca-devem-quase-dobrar-em-2026/







