A recente reforma tributária transformou profundamente o cenário do ITCMD no Brasil, exigindo que famílias, planejadores e profissionais do mercado revisitem suas práticas de sucessão. Mais do que uma simples alteração legal, trata-se de um convite ao planejamento patrimonial antecipado para garantir a longevidade financeira e emocional de cada legatário.
Neste artigo, exploraremos as mudanças, seus impactos e as melhores estratégias para manter seu patrimônio sólido, mesmo diante de alíquotas progressivas e de novas exigências documentais.
O que muda no ITCMD
Com a Emenda Constitucional 132/2023 e o PLP 108/2024, aprovado em dezembro de 2025, o ITCMD passa a adotar a progressividade obrigatória das alíquotas, obrigando estados a criar faixas que aumentam a alíquota conforme o valor da herança ou doação, até um limite de 8%.
Além disso, o local de recolhimento migrou para o domicílio do falecido ou doador, anulando a opção pelo estado com alíquota mais baixa. A base de cálculo também se modernizou, substituindo valores venais por avaliações de mercado. Esses mecanismos visam coibir práticas de "forum shopping" e alinhar a tributação ao valor real dos bens.
Impactos em patrimônios grandes e pequenos
Para grandes fortunas, a reforma eleva a carga tributária e intensifica a fiscalização, exigindo laudos econômicos rigorosos e demonstrações contábeis detalhadas. Isso pode acelerar vendas de imóveis ou a transferência de quotas societárias.
Já patrimônios mais modestos podem experimentar alíquotas iniciais reduzidas, aliviando a pressão tributária sobre heranças pequenas. Ainda assim, a mudança na base de cálculo provoca desafios para famílias que possuem bens antigos ou subvalorizados.
Holdings e planejamentos obsoletos
Estruturas societárias familiares continuam úteis para gestão e governança, mas perdem parte de sua eficiência tributária. A progressividade aplica-se sobre o valor total da empresa, e holdings sem propósito operacional são vistas como elisão abusiva.
- Doações de quotas sem laudo profissional enfrentam risco de autuações.
- Venda antecipada de ativos pode gerar ganho de capital elevado.
- A pulverização direta de bens exige estratégia cuidadosa para evitar desconfortos familiares.
Estratégias para longevidade patrimonial
Para resguardar o patrimônio e a harmonia familiar, é essencial adotar práticas proativas e diversificadas. Planejadores experientes recomendam antecipar doações e distribuir bens de forma equilibrada entre herdeiros.
- Antecipação de doações em vida, aproveitando faixas iniciais menores.
- Investimento em ativos financeiros como Fundos Imobiliários e títulos protegidos.
- Contratação de previdência privada isenta de ITCMD para assegurar renda futura.
- Estruturação de testamentos e pactos antenupciais para mitigar conflitos.
Casos reais e tendências regionais
Em São Paulo, onde a alíquota fixa era de 4%, famílias já revisam inventários com base em avaliações de mercado. No Amazonas, a atualização local se antecipou a 2025, e pequenos proprietários de terras estão regularizando áreas para evitar surpresas tributárias.
No Sudeste, cartórios relatam aumento de 30% nos pedidos de certidões e registros de imóveis antigos, reflexo da busca por regularização de imóveis antigos em alta demanda. Em Minas Gerais, o debate sobre prorrogar faixas de isenção para doações de baixo valor ganha força entre legisladores.
Conclusão prospectiva
A reforma do ITCMD não é apenas uma mudança tributária, mas um estímulo à reflexão sobre o valor do legado e a responsabilidade de cada gerador de patrimônio. Ao abraçar o planejamento patrimonial antecipado, as famílias garantem não só a preservação de bens, mas a continuidade de valores e projetos que transcendem gerações.
Entre desafios e oportunidades, a chave está em agir agora: revisar estruturas, avaliar ativos com profissionais especializados e orientar herdeiros. Dessa forma, consolidamos o futuro com segurança, justiça e prosperidade duradoura.
Referências
- https://portas.com.br/reforma-tributaria/itcmd-e-reforma-tributaria-o-imposto-sobre-heranca-vai-aumentar-em-2026/
- https://oantagonista.com.br/economia/o-governo-vai-morder-mais-a-sua-heranca/
- https://fenacon.org.br/reforma-tributaria/holding-familiar-o-novo-custo-silencioso-da-reforma-tributaria/
- https://jc.uol.com.br/colunas/metro-quadrado/2026/02/07/erro-na-avaliacao-de-imoveis-pode-inflar-imposto-sobre-heranca.html
- https://www.gov.br/secom/pt-br/fatos/brasil-contra-fake/noticias/2023/07/reforma-tributaria-nao-acaba-com-direito-a-heranca
- https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/ibge-tem-exoneracoes-e-reuniao-com-governo-as-vesperas-da-divulgacao-do-pib/
- https://www.seudinheiro.com/2026/financas-pessoais/novas-regras-para-itcmd-e-itbi-entram-em-vigor-e-podem-deixar-herancas-doacoes-e-compras-de-imoveis-mais-caras-mlim/
- https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2025/09/12/relator-da-reforma-tributaria-isenta-planos-de-previdencia-do-imposto-sobre-heranca
- https://www.tjsp.jus.br/Noticias/Noticia?codigoNoticia=113234
- https://www.reformatributaria.com/congresso/ir-camara-da-isencao-dos-r-5-mil-e-cria-taxa-extra-de-10-ao-mais-rico-elevando-carga-a-41/







