Despesas Inteligentes: Onde Cortar e Onde Investir

Despesas Inteligentes: Onde Cortar e Onde Investir

Em 2026, a rigidez orçamentária exige cortes estratégicos e investimentos de alto retorno.

Contexto Fiscal em 2026

O ano de 2026 chega com desafios fiscais cada vez mais complexos no Brasil. Com um déficit projetado em R$ 72,4 bilhões e um crescimento do PIB estimado em 1,7%, o governo federal enfrenta a necessidade urgente de equilibrar as contas sem comprometer o futuro do país. A trajetória de déficits primários desde 2014 mostra que a simples contenção de despesas não basta: é preciso repensar prioridades e realocar recursos.

Segundo projeções da IFI, a inflação deve recuar para 3,9%, mas as despesas obrigatórias permanecem em alta, comprimindo o orçamento discricionário. Nos primeiros 15 dias de 2026, o gasto público alcançou R$ 233 bilhões, corroendo rapidamente a margem de R$ 65 bilhões disponível para investimentos e custeio. Este cenário reforça a tese de que é imprescindível adotar ajuste fiscal profundo e sustentado para assegurar a estabilidade macroeconômica.

O novo arcabouço fiscal estabelece um limite de crescimento real anual limitado a 2,5%, o que requer contenção nos dispêndios obrigatórios e disciplina na execução orçamentária. Sem essa regra, o aumento automático de benefícios e salários compromete o espaço para investimentos, perpetuando o ciclo de déficits e inibindo políticas de longo prazo.

Áreas de Corte Prioritário

Para criar espaço fiscal e garantir recursos para projetos de impacto, é fundamental identificar quais despesas podem ser reduzidas sem romper serviços essenciais. As seguintes frentes concentram o maior potencial de economias:

  • Despesas administrativas básicas e essenciais: itens como água, energia, telefonia, limpeza e diárias, que somam cerca de R$ 65 bilhões anuais.
  • Emendas parlamentares e benefícios setoriais: reduções e critérios mais claros podem liberar parte dos R$ 64,2 bilhões destinados a essas rubricas.
  • Compensações tributárias e abatimentos: limitar isenções que não geram retorno direto ao contribuinte.

Ao cortar essas despesas, o governo pode direcionar recursos a áreas com maior impacto social e produtivo, evitando o desperdício e aumentando a eficiência dos gastos públicos.

Principais Indicadores para 2026

Para orientar a tomada de decisão, confira os principais indicadores macroeconômicos que definem o contexto de 2026:

Esses números evidenciam a pressão sobre o orçamento disponível e a necessidade de decisões criteriosas que ampliem o retorno dos investimentos públicos.

Investimentos Estratégicos

Com a margem de gastos discricionários cada vez mais restrita, é crucial direcionar os recursos liberados para áreas que acelerem a produtividade e promovam desenvolvimento sustentável. Entre as prioridades estão:

  • infraestrutura como vetor de produtividade: rodovias, ferrovias e portos que melhoram a logística nacional e reduzem custos.
  • investimento em inovação tecnológica: universidades, bolsas de pesquisa e parcerias público-privadas para fomentar uma economia mais competitiva.
  • Fortalecimento de agências reguladoras e fiscalização ambiental, mantendo padrões de sustentabilidade e combate ao trabalho escravo.
  • Defesa agropecuária e programas sociais essenciais, garantindo segurança alimentar e proteção ao cidadão mais vulnerável.

O realinhamento dos recursos para essas áreas pode gerar efeitos multiplicadores, estimulando o crescimento econômico e a geração de emprego.

Riscos e Caminhos para o Futuro

Mesmo com cortes e investimentos acertados, existem riscos que podem comprometer o resultado fiscal. A subestimação de despesas previdenciárias, por exemplo, já acarretou um gasto extra de R$ 13,5 bilhões em 2025, reduzindo a margem livre para cerca de R$ 117 bilhões. Da mesma forma, a superestimação de receitas, como os R$ 14 bilhões de imposto de importação de origem incerta, pressiona ainda mais o orçamento.

Para mitigar esses riscos, especialistas recomendam:

1. Implementação imediata de uma reforma administrativa com critérios claros para limitar o crescimento automático de gastos obrigatórios.

2. Estabelecimento de indicadores de desempenho para cada programa e agência, assegurando transparência e accountability.

3. Revisão periódica de isenções e incentivos fiscais, mantendo apenas aqueles que comprovadamente geram retorno social ou econômico.

Conclusão e Dicas Práticas

O desafio de tornar as despesas públicas mais inteligentes reflete também um aprendizado para o orçamento pessoal. Assim como o governo, cada família ou indivíduo pode adotar a lógica de cortar gastos supérfluos e investir em ativos que ofereçam retorno ao longo do tempo.

Algumas dicas práticas:

  • Revise mensalmente serviços de assinatura e planos contratados sem uso frequente.
  • Negocie contratos de energia, telefonia e internet em busca de melhores tarifas.
  • Invista em educação continuada e capacitação profissional para ampliar seu potencial de renda.
  • Crie uma reserva de emergência antes de destinar recursos a aplicações de risco.

Ao adotar essa disciplina, inspirada na gestão fiscal do setor público, cidadãos e governo podem caminhar juntos rumo a um futuro de maior prosperidade e sustentabilidade.

Lincoln Marques

Sobre o Autor: Lincoln Marques

Lincoln Marques escreve para o GuiaPositivo, com foco em planejamento financeiro, análise responsável e estratégias que ajudam o leitor a lidar melhor com o dinheiro no dia a dia.