Imóveis na Planta: Vantagens e Riscos do Investimento

Imóveis na Planta: Vantagens e Riscos do Investimento

Investir em imóveis na planta é uma estratégia que atrai tanto quem busca o primeiro apartamento quanto investidores experientes. Trata-se de adquirir uma unidade ainda em fase de projeto ou construção, aproveitando plantas arquitetônicas, maquetes e tours virtuais.

Esse modelo de compra é regulamentado pela Lei de Incorporações Imobiliárias (Lei 4.591/64), que exige o Registro de Incorporação no Cartório de Registro de Imóveis, garantindo total previsibilidade e segurança jurídica ao comprador.

Vantagens Principais

Optar por um imóvel na planta oferece desconto significativo de até 30% e a chance de valorizar o patrimônio antes mesmo da entrega das chaves.

  • Preço de lançamento inferior aos valores do mercado após conclusão
  • Potencial de valorização entre 20% a 50% até a entrega
  • Oportunidade de personalizar acabamentos e layout
  • Facilidade de pagamento parcelado durante a construção

Além do desconto inicial, muitos lançamentos oferecem condições especiais de financiamento e entrada reduzida, permitindo reservar recursos para decoração e ajustes internos.

O potencial de valorização entre 20% a 50% reflete a entrega de infraestrutura urbana, a inauguração de comércios locais e o desenvolvimento do entorno, gerando um ganho patrimonial significativo.

A personalização é outro grande atrativo: o comprador escolhe pisos, revestimentos e até configurações de ambiente, agregando tecnologias modernas e construção nova para valorizar ainda mais o imóvel.

Riscos e Desvantagens

Nem tudo são benefícios. Antes de fechar negócio, é preciso considerar atrasos, variações de custos e eventuais problemas da incorporadora.

  • Atrasos na entrega acima da tolerância de até 180 dias
  • Possibilidade de falência ou inadimplência da construtora
  • Reajustes contratuais e custos adicionais não previstos
  • Dificuldade de revenda antes da conclusão da obra

Os atrasos podem se estender por meses ou anos, devido a chuvas intensas, falta de material ou entraves burocráticos. Mesmo com prazo de tolerância, o comprador pode sofrer impactos financeiros e emocionais por adiar seu planejamento.

Em casos extremos de falência da empresa, mesmo com o regime de patrimônio de afetação, a retomada da obra envolve trâmites judiciais e incertezas quanto a prazos e qualidade final.

Os reajustes contratuais baseados em índices de custo da construção, como o INCC, podem elevar as parcelas acima do esperado. Além disso, despesas de cartório, ITBI, personalização e taxas condominiais devem ser previstas no orçamento.

A liquidez também é menor: vender um imóvel em construção envolve descontos e um mercado restrito, exigindo estabilidade financeira para manter o investimento até a entrega.

Medidas de Segurança e Recomendações

  • Verificar o histórico de entregas da construtora
  • Consultar solidez financeira e reputação no mercado
  • Ler atentamente o memorial descritivo e contrato
  • Exigir cláusulas de penalidade por atrasos

O comprador deve analisar documentos essenciais: Registro de Incorporação, planta aprovada e alvarás. Em Portugal, o CPCV (Contrato de Promessa de Compra e Venda) deve prever compensações por descumprimento de prazos.

Visitas periódicas à obra, acompanhadas por profissional técnico, asseguram que o cronograma e o padrão de qualidade estejam sendo cumpridos.

Comparativo: Vantagens x Riscos

Esta tabela sintetiza como as vantagens podem se traduzir em benefícios concretos, enquanto os riscos exigem atenção a detalhes contratuais e planejamento.

Histórias de Investidores

Em 2018, Ana e Carlos compraram seu primeiro apartamento na planta com um orçamento apertado. Atraídos pelo preço de lançamento inferior, garantiram uma entrada reduzida e parcelas que cabiam no bolso.

Durante a construção, acompanharam trimestralmente a obra e mantiveram diálogo aberto com o engenheiro responsável. Ao receber as chaves, o imóvel já havia valorizado mais de 25%, permitindo-lhes investir o lucro na mobília sem recorrer a empréstimos.

O engenheiro Rafael, por sua vez, investiu em dois empreendimentos simultâneos. Em um deles, enfrentou 8 meses de atraso, mas recebeu multa contratual e desconto em outro lançamento. No outro empreendimento, a valorização superou 40%, consolidando seu portfólio.

Contexto de Mercado Atual

Em 2025, mais de 40% das vendas residenciais no Brasil são de imóveis na planta, refletindo a confiança dos compradores nesse formato. Capitais como São Paulo, Belo Horizonte e Brasília concentram grande parte dos lançamentos imobiliários.

A busca por construções sustentáveis e inteligentes impulsiona incorporadoras a incorporar soluções de eficiência energética, automação predial e espaços de convivência modernos, agregando ainda mais valor ao produto final.

Considerações Finais

Investir em imóveis na planta pode ser a chave para a construção de patrimônio sólido, unindo preço atrativo, personalização e valorização. No entanto, exige pesquisa, planejamento e acompanhamento constante.

Verifique a reputação da construtora, analise documentos e garanta cláusulas de proteção no contrato. Com preparação e cautela, você transforma a aquisição na planta em uma trajetória de sucesso e tranquilidade.

Lincoln Marques

Sobre o Autor: Lincoln Marques

Lincoln Marques escreve para o GuiaPositivo, com foco em planejamento financeiro, análise responsável e estratégias que ajudam o leitor a lidar melhor com o dinheiro no dia a dia.